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Ponte de madeira: um nicho a ser explorado

BOLETIM ABPM OUTUBRO 18
MERCADO
Ponte de madeira: um nicho a ser explorado

Os projetos de pontes de madeira, assim como outras estruturas com este tipo de material,
evoluíram nos últimos tempos. Paralelamente, ainda há resistência em usar a madeira na
construção de pontes por resultados no passado, quando não eram empregados os cuidados
necessários para a conservação das mesmas. No entanto, com a madeira preservada
corretamente para este uso e as técnicas adequadas, além da manutenção periódica, as
pontes de madeira podem ter uma longa duração e serem muito eficientes.
O engenheiro Guilherme Stamato, especialista em estruturas de madeira, explica que os
projetos de pontes devem levar em consideração alguns pontos, como os cuidados com a
fundação. Nos casos de estruturas mais elaboradas, também é necessário prever uma
proteção para a madeira não ficar exposta à chuva. “Isso nos casos de sistemas de vãos
maiores, com vigas duplas, pórticos e treliças”, comenta.
Stamato lembra que outra solução bastante interessante com madeira é utilizar as vigas com
este material e fazer uma espécie de capa de concreto por cima. “Os veículos passam pela
parte do concreto e a madeira desempenha o papel estrutural. Isto gera uma economia para a
obra”, afirma.
A Madtrat, empresa de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) associada à ABPM, tem um case
justamente com este tipo de construção, em uma ponte mista. “Já existem pesquisas e
estudos que mostram os benefícios e os bons resultados”, aponta Jackson Cesar Correia,
diretor comercial da Madtrat. A empresa fez esta obra para o governo de São Paulo, na qual a
madeira tratada foi utilizada neste formato.
Além destes detalhes com o projeto, deve-se observar muito bem a madeira escolhida para a
ponte. Stamato lembra que a madeira tratada deve seguir as normas da NBR 16143. O
engenheiro ressalta que a conservação da madeira varia conforme a exposição do tempo
prevista e isso deve ser levado em consideração no caso de projetos de pontes. Ou seja, o
fornecedor deve escolher uma madeira tratada de qualidade e que tenha passado por um
processo para este fim.
Correia esclarece que a madeira utilizada em pontes passa por um tipo de tratamento
diferenciado em relação à madeira destinada para outros usos – mais reforçado -, sempre
seguindo as normas técnicas. “Além da questão da exposição, a ponte tem outro ponto a ser
pensado: a substituição das peças é mais complexa”, lembra. Além disso, o diretor da Madtrat
fala que a escolha da espécie de madeira também faz diferença no projeto, juntamente com a
qualidade da matéria-primeira e o tratamento aplicado.
Tudo isso vai garantir a eficiência e a vida longa da estrutura, juntamente com as manutenções
periódicas. “As inspeções devem acontecer pelo menos uma vez ao ano. Elas podem identificar
algum ponto frágil e garantir alguma ação enquanto é cedo”, salienta Stamato.
Na percepção dele, a maior parte destas estradas não passa pela manutenção correta. “O que
vemos na prática são estas pontes sendo consertadas no período do escoamento da safra, de
última hora, e sempre com os mesmos erros”, avalia o engenheiro, lembrando que as pontes
de madeira estão localizadas principalmente nas áreas rurais, seja em estradas vicinais ou
dentro de propriedades.
O especialista acredita que as pontes com madeira tratada são um nicho interessante de
mercado, ainda mal explorado, pois ainda há a percepção de que a madeira não é um material
durável. “Infelizmente, estas pontes são feitas sem os cuidados necessários e depois sem a

manutenção correta. Depois, quando aparecem os problemas, dizem que o problema é a
madeira”, conta.
Stamato avalia que, para reverter este quadro, será necessário esclarecer as vantagens da
madeira e seus benefícios a longo prazo, incluindo a economia na obra e na manutenção.
Correia complementa: “as pontes de madeira são construções de rápida execução”.


EVENTO
Começam preparativos para o WoodProtection 2019

A diretoria da ABPM em conjunto com os parceiros Malinovski e FG4 Mad já iniciaram o
planejamento para definir a programação da segunda edição do WoodProtection –
Conferência Sul-Americana de Tecnologias para Proteção de Madeiras. Na primeira edição
foram mais de 100 profissionais presentes. Para o ano que vem são esperados profissionais
ligados a usinas de proteção de madeiras, arquitetos, engenheiros para discutir aspectos
técnicos, mercado e possibilidades de uso da madeira preservada. O evento será em Curitiba
(PR) no dia 10 de setembro de 2019.

CONSTRUÇÃO
Argentina se mobiliza para aumentar o uso da madeira na construção

Iniciativas têm duas frentes: redução do déficit habitacional e estímulos às indústrias de base
florestal
A Argentina está desenvolvendo, em diferentes níveis, políticas para incentivar as construções
em madeira no país. São ações governamentais, tanto em nível federal quanto nas províncias,
e de instituições e associações empresariais. As medidas estão relacionadas ao atendimento
da demanda por habitação na Argentina e ao estímulo para toda a cadeia da base florestal. O
governo argentino publicou no início de 2018 uma resolução para facilitar e incentivar as
construções em madeira, depois de sistemas construtivos com este material terem sido
qualificados como tradicionais, sendo assim equiparados a outros sistemas, como os de
concreto, ferro e alvenaria. Desde então, as obras em madeira não precisam do Certificado de
Aptidão Técnica (CAT). Além disto, o governo do Argentina assumiu o compromisso de
financiar a construção de casas de madeira – 10% do financiamento habitacional no País deve
ser direcionado para este fim.
Este movimento aconteceu após a edição das normas técnicas para as estruturas de madeira,
no final de 2016. Neste período, houve a publicação do primeiro regulamento nacional sobre o
tema, quando ficaram estabelecidas diretrizes gerais e requisitos para os projetos e as
construções de estruturas de madeira. As normas tiveram como referências regulamentações
internacionais, mas que foram adaptadas à realidade argentina, como os tipos de madeira
mais disponíveis naquele mercado (pinho paraná, eucalipto, pinus ellioti e álamo).
A partir disso, algumas províncias argentinas também passaram a elaborar programas
específicos de habitação com casas de madeira e estímulos para as indústrias florestais e da
construção. Foi o caso do governo de Entre Ríos, que em agosto deste ano anunciou a

integração de um modelo de casa de madeira em seu programa de habitação “Primeiro tu
Casa”.
Neste caso, as moradias serão feitas com madeira de eucalipto, diante da grande oferta deste
tipo de madeira na região. Cada residência terá 51,5 metros quadrados, com dois quartos e
todas as instalações elétricas, além de preparações para telefone e internet, dependendo da
disponibilidade dos serviços na região. O governo ainda pretende instalar tanques de água
quente com energia solar nas unidades habitacionais. Não há uma previsão de quando as
construções devem começar.
Representantes do governo de Tierra del Fuego trabalham na divulgação da madeira de lenha
fueguina como alternativa para a construção de casas modulares. O objetivo é estimular
investimentos no setor, gerando um desenvolvimento sustentável com valor agregado para
este produto. O governo de Tierra del Fuego busca, inclusive, a certificação desta madeira para
dar ainda mais peso ao projeto.
Assim como ocorre no Brasil, entidades que representam os setores florestal e da madeira na
Argentina se reúnem frequentemente para debater o uso do produto na construção. Em um
destes encontros no mês de agosto, em Buenos Aires, Osvaldo Vassallo, presidente da Câmara
de Madeira da Argentina, declarou que o país precisa melhorar o aproveitamento do seu
potencial para gerar valor, o que vai impactar toda a cadeia da indústria madeireira argentina.
Para isso, ele defende o uso da madeira em todos os tipos de habitação, incluindo edifícios, a
partir da adoção de sistemas construtivos industriais que unam matérias-primas nacionais,
renováveis, recicláveis e certificadas. Vassallo ressalta ainda que, além dos negócios, esta é a
janela de oportunidade para reduzir o déficit habitacional no país.
Com informações do jornal Clarín e do portal Madeira e Construção.

Vem aí uma campanha para conscientizar as empresas associadas.

Legalidade. Qualidade. Boas práticas.